Sozinho ele andava na chuva, a chuva que parecia não ter fim e que caia ininterrupta há vários dias...
Soltou seus cabelos para receber melhor as gotas que lhe encharcavam, olhava fixamente para frente como se não existisse nada nem atrás e nem ao lado. Em sua mente passavam-se mil coisas ao mesmo tempo, em sua maioria, lembranças, ações já feitas, mas que poderiam ter sido muito melhores, coisas que deveria ter dito, gestos guardados em seu íntimo por medo de que seu orgulho fosse ferido, ou que se sentisse fraco expondo tanto de seu interior...
Um nó dentro do peito já sentido antes algumas vezes, mas que nunca conseguiu se acostumar, pois toda vez parece a primeira, o peso de sentir o fim, mas a certeza de que a vida continua! Será?
Sim, ela continua, e no meio de mais de seis bilhões de pessoas no mundo não teria uma que o entendesse completamente, que gostasse de poesia tanto quanto ele, que desse valor a momentos mágicos e ao poder das palavras ditas somente no momento correto?
Determinado a acreditar que o destino lhe trará um dia tal pessoa, ele continua andando na chuva, sem medo de adoecer no dia seguinte, pois se lembra de uma frase de um grande filosofo que diz: “Pois a chuva é minha amiga e eu não vou me resfriar”.
Sim, a chuva é sua amiga, pois cai em boa hora. O sol não lhe traria alegria nesse momento, nem o canto dos pássaros ou a brisa de verão, a chuva é realmente sua amiga, então lhe vem à cabeça quem mais há de ser seu amigo, lembra-se de momentos muito bons que passou com algumas pessoas, das conversas, risadas e histórias compartilhadas.
Então a solidão aumenta ainda mais, pois muitas dessas pessoas hoje não fazem mais parte de sua vida, já seguiram seu fluxo para o grande rio da vida, vivem sua própria história, assim como um dia terá de viver!
Para debaixo de uma árvore, gotas carregadas e acumuladas pelas folhas caem com força sobre seu corpo, vê as pessoas correndo apressadas e se queixando da vida por coisas simples e não entende o significado de tanta preocupação com coisas insignificantes, isso faz com que se sinta ainda mais sozinho embora ache pouco possível, lhe dá vontade de cantar, cantar de fato é uma das melhores maneiras de rezar. Ele canta com muita convicção e determinação, canta para a sua única amiga no momento, chuva que cai e molha o mundo, que dá vida sem ninguém nunca lhe agradeça, ele sente uma fiel atração por um elemento da natureza muito comum, sente o momento mágico entre ele e a sua nova e fiel amiga, entende a rejeição de que a chuva passa a cada vez que cai, sente que a vida é como um grande fluxo interminável, entende o segredo da vida com a chuva, pois caímos e corremos muito para atingir nosso objetivo, e quando finalmente estamos lá no alto, somos forçados a cair novamente...
E aceitar, pois esse é o real significado, e assim como a chuva que nunca cai no mesmo lugar e vê lugares novos a cada vez que vem ao solo, aprendemos variadas maneiras de levantarmos, e aprendemos novas experiências e novos caminhos a cada queda...
A chuva lhe mostra a alegria de recomeçar, de ver coisas novas e aprender com cada queda, ele agradece sua mais nova e grande amiga, e ela se despede, revelando assim uma linda tarde de sol, os pássaros recomeçam a cantar e a alegria estampa o rosto das pessoas, ele se sente gratificado, pois foi banhado de uma glória que já percorreu e caiu em todo o mundo, mas que sempre se levantou novamente. Promete a si mesmo jamais desistir de aprender, corre para casa e começa a escrever, pois se temos um dom, devemos usar para nunca nos esquecermos...
Obrigado chuva... E volte sempre!!!
Jean Jefferon...
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